Crescendo como Saumensch

Resenha | Na Porta ao Lado

terça-feira, novembro 03, 2015 Julia Pinheiro 0 Comments


Na porta ao lado é o livro da brasileira Luiza Trigo publicado pela editora Rocco em 2015 que conta a história de uma das suas personagens de Meus 15 Anos. Apesar de aparentemente abordar os mesmos personagens eu ainda não li os Meus 15 Anos e consegui entender tudo, então não acho que exista uma ordem. O livro é bem fininho, só 250 páginas ( brancas ), e isso e o fato de ser uma leitura leve faz com que o livro dê para ser lido tranquilamente em um dia.


A história em si é bem simples: Carol está surtada com a notícia de que sua mãe vai se casar com um homem que ela nem fez questão de apresentar para a própria filha, e o tal moço ainda tem um filho que mesmo sem nunca ter dado as caras já deixou várias péssimas impressões. Agora, faltando pouco para o casamento, Carol vai ter que deixar a casa de infância e abandonar junto a vida que tanto amava viver apenas ao lado da mãe para dividi-la com dois estranhos em um lugar totalmente diferente.


Enquanto Carol tem que suportar o filho irritante do seu padrasto, que parece a odiar,  ainda tem que lidar com outros problemas que toda adolescente tem: desentendimento entre amigas, seu relacionamento com a mãe, amores não correspondidos e segredos.


Não quero falar muito sobre o livro porque o legal é a normalidade do enredo e quanto ainda assim ele pode te prender e te surpreender. Foi engraçado ver situações comuns, que realmente acontecem e podem acontecer com qualquer um, de outro ponto de vista. Não sei vocês, mas eu já desejei mil vezes estar dentro de um livro, nas histórias onde sempre tem alguma coisa acontecendo, e ler esse livro, com esse enredo bem "vida normal" me fez pensar que nós vivemos dentro da nossa própria história que é tão cheia de situações tensas, dramáticas, tristes e românticas quanto nos livros, mas que da nossa própria forma, e como estamos vivendo ela nem nos damos conta.



Além da narrativa leve, daquelas que você nem repara quando já está acabando o livro, o que mais amei foi isso: me sentir mais próxima da história, ainda mais se formos destacar que Carol, por viver no Rio, descrevia tantos lugares que eu conheço, ruas que eu frequento, lugares que amo e como eu nunca tinha lido um livro que se passasse na minha cidade, eu adorei essa sensação.




A história corre e você nem percebe. O livro narrado por Carol demonstra bem a adolescência sem exageros, sem dramas surreais. Apenas uma garota normal, com uma vida normal e problemas normais, mas gostos extraordinários! Carol cita ao longo da história diversos livros e músicas e faz comentários bem descontraídos. Acho que a Luly também abordou uma linha de reflexão bem sutil e que acho pouca abordada em livros que tratam da adolescência: encontrar a si mesma. Tudo no livro leva a isso, mas as reflexões e o encaminhar dos acontecimentos são tão sutis e vindos de maneiras tão simples que chega no final você mesma se pega refletindo.


Fora que o livro é uma graça!! Cheio de detalhes e desenhos, e todos os títulos são referentes à outros livros, e eu amei isso! Tem até um chamado Jogos Vorazes, agora imaginem o que acontece nesse capítulo! Amo também essa escolha de cores <3 Fora que, com uma autora dessa, impossível não se apaixonar! ( Se você não conhece a Luly não sei o que você está fazendo com a sua vida! Moça linda, simpática, divertida, animada e com uma energia maravilhosa que eu tive o prazer de dar muitos abraços na Bienal )


Não imaginei que ia mergulhar tanto na história mesmo com esse enredo bem simples - que não caiu em nada no clichê! AMO ISSO! - fora que acabei me apegando às personagens com personalidades divertidas e bem definidas e por isso super indico esse livro pra quem quer dar uma relaxada e ler algo leve - caiu super bem pra mim no meio da minha rotina tensa de estudos - e dei cinco estrelas no skoob


Trechos Favoritos:

"É melhor você se arrepender de alguma coisa que fez do que de algo que não fez."

"Pra mim todo livro é livro, toda história é uma viagem."

"- Mas como seu se o amo?
- Você não estaria se perguntando isso se o amasse."

"- Isso não faz o menor sentido
- E por que tem que fazer algum sentido?"

"Ver São Conrado lá de cima fez com que eu me sentisse sem importância perto da grandiosidade do mundo."

"Foi correndo que percebi que não preciso de ninguém ao meu lado para me sentir inteira."



Espero que tenha dado pra entender o que eu quis dizer - as vezes posso ser bem confusa e muitas dessas vezes não percebo . Alguém ai já conhecia a Luly? :D

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