Crescendo como Saumensch

Resenha | Sombra e Ossos

sábado, agosto 22, 2015 Julia Pinheiro 0 Comments


Sombra e Ossos é o primeiro livro da Trilogia Grisha escrita por Leigh Bardugo e publicado aqui no Brasil em 3013 pela Editora Gutenberg. O livro possui 287 páginas amareladas e de uma qualidade que é raro encontrar, acho que meu único livro que tem folhas tão grossas, porosas e ótimas é um livro que eu tenho em inglês. Fora o verniz centralizado apenas nas letras, galhos e no castelo, e nos detalhes até da contracapa do livro, todos os capítulos e numerações de páginas são ricamente adornados por desenhos muito lindos, fora o detalhe de que o livro possui um mapa incrível. Amei todos os detalhes do livro e ele já me conquistou por ai. Na minha opinião, uma das edições mais bem trabalhadas da minha estante.


O mundo criado por Bardugo possui pessoas comuns e algumas outras que nascem com dons especiais, esses são os chamados Grishas, os mestres da pequena ciência, cujas habilidades são descobertos ainda crianças para serem treinados e servirem futuramente ao segundo exército na guerra que envolve toda a Ravka - o país onde é o foco da história. As habilidades podem variar, sendo divididos entre os Corporalnik, sendo eles Sangradores ou Curandeiros, os Etherealki, podendo serem Aeros, Infernais ou Hidros e os Materialki, sendo eles os Durastes e os Alquimistas, mas acima de todas as ordens está o Darkling, o único com o dom de manipular as sombras.


Os problemas de Ravka são muitos, além da guerra constante que o país vive, onde lutam o primeiro exército ( pessoas normais ) e o segundo exército ( o exército dos Grishas ) ainda há o prolema do Não Mar, uma grande corte negro que marca o mapa e divide o território em dois, separando a parte leste do mar, dificultando as transações comerciais. Essa marca foi criada há muitas centenas de anos por um  Darkling, o Herege Negro, e junto com a marca de escuridão surgiram monstros, achamados de volcras, que se alimentam de qualquer um que ouse entrar em seus limites. E todos esses fatores só deixam a sociedade cada vez mais dependentes do poder dos Grishas , que com um transporte próprio e muita dificuldade tentam fazer as travessias pelo Não Mar de forma segura, enquanto não se encontra uma uma forma de destrui-lo.


Mas a história começa com um vislumbre de esperança. A órfã, Alina Starkov e seu amigo de infância Maly, ambos servindo ao primeiro exército são mandados junto com o resto do batalhão para uma travessia na dobra. Alina, fraca e doentia, diferente do corajoso e forte Maly, tem um mal pressentimento com a travessia. Mesmo sabendo que muitos sobrevivem a travessia a Dobra causa um efeito estranho sobre ela e seus pressentimentos acabam se concretizando quando o esquife - uma embarcação própria para a travessia -em que ela e Maly estão  é atacado pelos volcras. 

O caos toma conta de todos quando os monstros dão poderosas investidas contra os soldados, levando um por um, e o terror toma conta de Alina ao ver um tentando levar Maly, um terror tão irracional que a faz se arremessar contra o monstro quando uma luz ofusca tudo e afasta os monstros e ela desmaia, só para quando acordar descobrir que aquela luz, de alguma forma, veio dela.


Alina, por conta da sua demonstração de poder, é levada ao Darkling com descrença de que a luz tenha mesmo vindo dela, mas ele sabe, é quase impossível, mas é verdade: Alina é a única Conjuradora do Sol que vive. Ninguém sabe com ela conseguiu se esconder por tanto tempo, e ela nem sabe como reativar seu poder, mas é um fato, e ela é a única que pode destruir a Dobra e restaurar seu país, mas aquela menina pequena e fragilizada ainda é olhada de ma fé. Mesmo assim ela ainda é a única esperança de Ravka, e deve ser preparada para seu destino. Assim, afastada do fiel Maly e de sua simples vida de camponesa ela é levada até Os Alta, a capital de seu país, onde terá de viver com muitos outros Grishas no Pequeno Palácio e se adaptar a nova vida. 


No Pequeno Palácio a tensão que ronda o acontecido é claro, e o peso sob as costas de Alina são demais. De um dia para o outro ela se tornou uma das pessoas mais poderosas que existem, braço direito do Darkling, e o país conta com ela, mas ela nem ao menos sabe conjurar um mísero raio de luz. Enquanto luta para se adaptar à uma realidade tão diferente da sua, com tantos luxos e segredos, Alina vive em conflito interno, entre querer o poder e desejar sua antiga vida de volta. Quais eram as reais intenções do Darkling com ela? Deveria se entregar a essa nova sensação que a invadia toda vez que estavam perto e esquecer Maly? Poderia um dia esquece-lo? Será que seu novo status afastaria Maly, aquele que sempre viu como seu único lar? E quais são as reais intenções do Rei de Ravka para com seu povo?


O mundo de bardurgo é incrível! No começo você fica um pouco confusa com tantos termos e com todos os tipos de grishas e seus poderes, mas logo você começa a entender como funcionam e como é a real hierarquia do país e o que realmente é deixado transparecer. Como o livro é narrado pela Alina, e o mundo em que ela acabou sendo transferida é cercado de segredos e políticas que ela não conhece cada reviravolta é uma surpresa, você nunca sabe o real motivo das coisas e nem percebe o desenrolar dos problemas até que eles apareçam. 


Além do livro ser incrivelmente bem trabalhado em seus aspectos físicos com toda essa riqueza de detalhes a narrativa também é maravilhosa. Os fluxos de pensamento de Alina te envolvem de um jeito inexplicável, os momentos de tensão são horríveis e você os sente na pele, e os momentos bons fazem você se revirar toda enquanto lê, fora que as vezes tem sacadas bem engraçadas, então até ri durante a leitura. Acho que sempre esperei por um livro com um mundo assim - que lembra um pouco Avatar: A Lenda de Aang, mas só lembra, ok? Quando você lê percebe que não tem nada a ver  fora alguns poderes-  então esse se tornou um dos meus livros favoritos e meu mundo fantástico favorito! 


A história é muito envolvente e viciante! Eu já estou viciada, e minha sorte foi que já tinha o segundo livro, pois tudo que penso, sonho e faço é pensando nesse livro. Amo quando isso acontece! Durante o dia chego a ter saudade dos personagens e dos lugares, como se eu realmente tivesse vivido tudo aquilo, às vezes até me pego com um sentimento estranho de estar com o livro nas mãos porque na minha cabeça é tudo tão vivo e real que mal consigo superar o fato de tudo aquilo ser feito de palavras. É o tipo de livro que da vontade de obrigar todo o mundo a ler, só pra perceberem o quão incrível é e ter com quer surtar junto, então por favor: leiam. 


Trechos favoritos:

"- Não há nada de errado em ser uma cartógrafa.
- É claro que não. E também não há nada de errado em ser um lagarto. A menos que você tenha nascido para ser um falcão."

"O problema de querer algo é que isso nos deixa fracos."

"Após o barulho e o empurra-empurra da viagem, havia algo de tranquilizador nos estalidos do papel, no cheiro da tinta e no arranhar macio dos bicos de pena e pincéis."

"Eu odiava esconder o quanto as coisas estúpidas que ele fazia me magoavam, mas odiava ainda mais a ideia de que ele descobrisse."


Alguém ai já leu ou ouviu falar desse livro? Acho ele tão maravilhoso e pouco falado aqui no Brasil! Só descobri ele por uma conta no instagram de uma gringa e fiquei tão feliz ao descobrir que já tinha sido publicado aqui e com uma edição tão maravilhosa *-*

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