Crescendo como Saumensch

Silo

sexta-feira, julho 24, 2015 Julia Pinheiro 0 Comments


Silo é uma distopia lançada em 2013 pela Intrínseca e escrita por Hugh Howey. O livro possui 500 páginas amareladas sendo divididas em cinco e tendo um epílogo e mais o primeiro capítulo do próximo volume da trilogia - Ordem. A narração é em terceira pessoa e conforme a história o foco vai se alternando entre alguns personagens. A capa é emborrachada com o título envernizado - sou apaixonada por esse efeito e por essa capa.

O que dizer dessa dedicatória? Muitos feelings
A situação é a seguinte: a superfície do mundo foi totalmente destruída, sendo impossível de abrigar qualquer tipo de ser vivo por conta de seus vários gases tóxicos, isso já tem vários séculos, e agora as pessoas não tem escolha senão a de viver confinados em Silos, que são nada mais nada menos do que prédios que crescem para baixo e são completamente autossuficientes, possuindo plantações, geradores e tudo mais. Os silos tem mais de 100 andares subterrâneos, tudo bem estratificado, sendo suas funções relacionadas sempre aos andares onde vivem. 


Para não perder total sua conexão com o exterior existem sensores na superfície que captam a imagem devastadora da terra seca e cheia de gases tóxicos e as reproduzem nos níveis superiores dos silos, mas de tempos em tempos esses sensores devem ser limpos, e ser mandado para a limpeza é uma a pior pena criminal que pode ser concedida no silo ( geralmente aplicada àqueles que expressão seu desejo de sair ) pois quem sai, nunca volta.


É dado aos destinados à limpeza roupas especiais, que protegem a pessoa por tempo suficiente apenas para que elas façam seu serviço, mas o mistério que rodeia a limpeza é: porque essas pessoas limpam os sensores se já estão condenadas à morte em um lugar onde ninguém pode obriga-las a completar a tarefa? E é pensando ter descoberto esse segredo que Holston, o xerife do silo decide sair e dessa vez não limpar as janelas. Mas quando chega ao exterior ele limpa, morrendo logo em seguida. Tinha algo errado com sua teoria que parecia tão precisa. Mas as coisas podem mudar com a nova xerife Juliette, uma mulher forte, inteligente e que veio das profundezas do silo determinada a descobrir algumas verdades.


Sou totalmente sem palavras sobre esse livro. Acho que nunca senti tanta agonia na minha vida. As páginas simplesmente não eram suficiente, me pegava várias vezes atropelando várias palavras apenas para descobrir logo o que ia acontecer, e a alternância no ponto de vista dos personagens só piorava a situação! Acho que por isso que a narrativa detalhada me irritava às vezes: porque tinha pressa demais para acabar com minha sofrência. Mas não ache que a narrativa era massante, longe disso, eram apenas muitas coisas que eu tinha pressa de descobrir logo. 


É o tipo de história que a cada página é um novo mistério, e quando você acha que tudo esta indo se resolver, e que você já sabe de tudo acontece algo surpreendente que faz você ficar embasbacado sem ter certeza do que realmente leu, só para logo em seguida tentar ler tudo o mais depressa possível. Foi uma leitura bem tensa, que fez meu coração disparar várias vezes e ficar me contorcendo toda vez que era obrigada a parar - momentos absurdamente torturantes.


Além de ser distopia, meu gênero literário favorito, o livro ainda tem outro ponto que eu amo: nada de mimimi  adolescente. Isso me irrita em muitos livros, mas nesse, finalmente, encontrei o tipo de heroína que não me fez ter raiva dela nenhum pouquinho em nenhum segundo. A mulher é incrível, tem uma personalidade tão forte que é impossível não vê-la como alguém real, de carne e osso, esperta e decidida. 

Mas apesar de todas suas convicções não é perfeita - mais um ponto forte do livro -  e possui muitas incertezas internas também, mas sempre sem tentar fazer drama, tentando se entender e entender as coisas ao redor, e obviamente: muito humana e de um jeito muito real, fazendo todas as atitudes se tornarem naturais. Definitivamente Jules se tornou uma das minhas personagens femininas favoritas, sendo um símbolo forte para as heroínas literárias e superando todas as outras protagonistas que já conheci. Simplesmente apaixonada por essa mulher e sua força. Só lendo para entender. 


Mais um ponto forte que não podia deixar de mencionar: nunca li cenas de violência tão bem descritas como nesse livro. Meu coração veio a boca durante toda a leitura com lágrima aos olhos. Da para você visualizar bem e tem noção exata de como é estar em um momento crítico desse, do nível de perdas e violência envolvidos, sem tempos para piedade ou esperança. Foi bem trágico, e não só triste mas horrendo. Fiquei horrorizada com a minucia das cenas o que me fez pensar várias vezes se o autos já não tivesse participado de uma guerra, porque sinceramente, não sei como alguém poderia escrever daquele jeito sem ter vivido aquilo. É simplesmente perfeito e daria um filme maravilhoso. Fico nervosa só de lembrar!



Para quem gosta de distopia e quem gosta de suspense tenho certeza não vão se arrepender de ler esse livro, mas não esperem nada como Jogos Vorazes ou Divergente ( resenha aqui ), acho que de todas as distopias que li se aproxima mais ao clássico 1984 ( resenha aqui ) e creio ser tão indispensável quanto esse clássico para os amantes de distopia. Favoritei o livro e mesmo depois de escrever tudo isso creio que não falei o necessário para fazer jus a essa história, com personagens bem trabalhados ( até os secundários, que você acaba se apegando sem perceber ) , enredo fantástico e narrativa agoniante, e ainda no final tudo que eu desejava era mais páginas, e mais informações, e mais vida para descobrir ainda mais cada um dos personagens e suas vidas futuras. Ainda não tenho palavras, então apenas leia. De verdade.


Trechos Favoritos:


"Estou falando sobre os dias se tornarem semanas, as semanas se tornarem meses e os meses se tornarem anos."

"Depois de um tempo, você se prende à raiva só para justificar um erro antigo."

"- Qual o objetivo disso?
- Qual o objetivo de qualquer coisa?"

"Você ria ou para manter a sanidade, ou porque tinha desistido dela. De um jeito ou de outro, você ria."

"A voz dela o preenchia de um modo que o simples alimento não conseguia."

"O que controlamos são nossas ações depois que o destino nos coloca onde estamos."

"No fim, algumas coisas distorcidas pareciam ainda piores quando consertadas."


Alguém ai também já se desesperou muito com algum livro?

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