Crescendo como Saumensch

1984

sábado, junho 20, 2015 Julia Pinheiro 0 Comments


1984 é uma clássica distopia escrita por George Orwell e publicado primeiramente em 1949 e no Brasil publicado nessa linda edição pela Companhia das Letras. O livro é dividido em três partes, tendo um apêndice e um posfácio escrito por três diferentes autores, com diferentes pontos de vista de diferentes épocas.



O universo do livro é crítico: uma Londres destruída, que vive da guerra e com uma organização política nada usual, dividida em três. O Ministério da Paz, que cuida da guerra, o Ministério do Amor, que cuida da opressão e da tortura e o Ministério da Verdade, que cuida das mentiras.


Nesses ministérios só trabalham membros do Partido, a unidade política que governa a Oceania com grande repressão e autoridade, cuja figura máxima é o Grande Irmão, que esta de olho em tudo e em todos a todo momento, numa sociedade cheia de câmeras e cheia de regras. Nesse meio as pessoas são obrigadas a viver exclusivamente para o Partido, e vigiar seus próprios pensamentos, treinados a não expressar sentimentos e não formarem laços com outras pessoas, fadados a solidão.

Toda essa estrutura rígida, junto com a formação de um novo idioma, tem um único propósito: controlar cada vez mais as pessoas. Não deixar que de nenhum jeito, nem através de gestos, palavras ou pensamentos as pessoas possam se voltar contra o Partido. Porém, Winston, o protagonista dessa história, não consegue sucumbir a esses excessivos controles, e com o pouco de liberdade que lhe resta, ele se rebela internamente contra o Grande Irmão.



Winston, assim como todos aqueles que pensam demais, mesmo nunca tendo exteriorizado sua revolta por essa sociedade vive com o medo de que alguém o descubra, de que alguém arrume um jeito de invadir seus pensamentos, e é assim que ele conhece Julia, um membro do Partido que assim como ele, secretamente, odeia tudo aquilo. Juntos, eles vivem o perigo do romance ( proibido pelo Partido ) com uma esperança recém surgida de um futuro com liberdade, baseando-se na crença da real existência da Confraria, uma organização revolucionária secreta.



O livro faz clara alusão aos sistemas totalitários, porém com sacadas muito mais complexas e profundas. Para mim, a melhor de todas foi a criação do novo idioma ( que é bem explicado no apêndice com mais detalhes ), que possuía o raciocínio de que se a própria palavra "liberdade" fosse excluída do vocabulário as pessoas perderiam seu conceito e assim sua vontade de te-la.

Durante toda a história a gente torce pelo casal e que surja uma revolta, e enquanto isso somos apresentados a reflexões interessantes sobre repressão, liberdade, caráter, manipulação e pensamentos. O livro é contado com uma narrativa bem interessante e com poucos diálogos ( já que os pensamentos de Winston não são propícios para serem ditos nessa sociedade ) e a cada parágrafo só fica ainda mais claro a extrema inteligência de George Orwell, ainda mais para a época.



Um livro maravilhoso para quem gosta de história, de conspiração e de assuntos como alienação e política. Uma leitura onde a complexidade esta na compreensão daquilo que todo mundo tem ideia mas não coloca em palavras, mas onde a narrativa diz ao contrário. Um verdadeiro clássico que todos deveriam ler, não só pela emoção da história mas para uma reflexão
 que podemos levar para nosso dia-a-dia.



Trechos favoritos:

"Não era fazendo-se ouvir, mas mantendo a sanidade mental que a pessoa transmitia sua herança humana."

"Ocorreu-lhe que em momentos de crise o embate da pessoa nunca era com um inimigo externo, mas sempre com seu próprio corpo."

"O lugar onde não havia escuridão era o futuro idealizado, esse que ninguém jamais veria, mas que, graças à presciência, era possível compartilhar misticamente."

"Ir tocando dia após dia, semana após semana, prolongando um presente sem futuro, parecia um impulso irrefreável, tal como nossos pulmões sempre haverão de aspirar o alento seguinte enquanto houver ar disponível."

"Quando você ama alguém, ama essa pessoa e mesmo não tendo mais nada a oferecer, continua oferecendo-lhe o seu amor."

"Confissão não é traição. O que você faz ou diz não importa: o importante são os sentimentos. Mas se eles conseguirem me obrigar a deixar de amar você...Isso sim, seria traição."

"Mas...e se seu objetivo não fosse permanecer vivo, e sim permanecer humano? Que diferença isso faria no fim? Eles não tinham como alterar seus sentimentos: aliás, nem mesmo você conseguiria altera-los, mesmo que quisesse. Podiam arrancar de você até o último detalhe de tudo que você já tivesse feito, dito ou pensado, mas aquilo que estava no fundo do seu coração, misterioso até para você, isso permaneceria inexpugnável."

"Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que lhe dizem o que você já sabe."


Alguém aí já leu algum livro do Geroge Orwell

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