Crescendo como Saumensch

Convergente

quinta-feira, julho 03, 2014 Julia Pinheiro 0 Comments


Convergente é o terceiro e último livro da trilogia Divergente escrita pela Veronica Roth e publicado aqui no Brasil em março desse ano pela Editora Rocco. Como se trata de uma continuação de série não recomendo a leitura dessa resenha caso você não tenha lido o primeiro livro da série, Divergente ( resenha aqui ) e o segundo livro, Insurgente ( resenha aqui ).



O final de Insurgente foi sem dúvida um dos cliffhangers mais tensos que eu já li. Depois de lutar tanto para revelar o grande segredo da Abnegação a situação em Chicago só piora, agora além do medo da ditadura de Evelyn os habitantes da cidade tem um problema a mais com que se preocupar: o que há do lado de fora da cerca?


Todos temem essa resposta, porém, a curiosidade e a revolta perante as ordens impostas pelos sem-facção impulsionam a formação de um grupo rebelde dentro do novo regime: Os Leais, que não só desafiam o poder de Evelyn mas também querem seguir com o plano dos antigos lideres da cidade e finalmente conhecer o mundo que existe lá fora.


Então depois de reuniões, vários desafios, e problemas, é formado o primeiro grupo com o objetivo de ver o que tem do outro lado da cerca: Tobias, Tris, Christina, Uriah, Cara, Peter e Tori. E o que eles acabam encontrando do lado de fora ao mesmo tempo que é cheio de novidades não é tão diferente assim de onde eles vieram.




Assim como dentro da cerca, do lado de fora tem um grande número de pessoas sofrendo, e alguns poucos no poder, o medo ainda paira em toda parte e também tem um grande número de sérios problemas que precisam urgente de uma solução. Mais do que isso, assim como dentro da cerca, o lado de fora também esta a beira de uma Revolução.



Agora, em um novo lugar Tris percebe que as coisas são são como parecem, que ela vivia uma mentira, e que o mundo é muito maior do que ela pensava, e que ela é tão insignificante, e mesmo com tantos problemas ela se vê obrigada a se adaptar, a aceitar os segredos, as respostas e as descobertas, porque ali será o seu lar daqui pra frente, ou deveria ser, se ela tivesse escolhido aceitar essas condições que são impostas para se viver do lado de fora da cerca.




Ao escolher não aceitar aquela realidade Tris começa uma verdadeira batalha consigo mesma, dividida entre a perspectiva por um futuro comodo e feliz e o que é certo, e se vê entre duas revoluções que vão mudar o curso e o sentido de tudo que ela conhece.


Confesso que eu demorei bastante para ler porque eu já tinha recebido spoilers do final e não queria aceita-lo, mas enfim decidi terminar, e só posso dizer que eu amei e chorei de mais. Foi um livro cheio de descobertas absurdas que fizeram tudo ter mais sentido, e cheio de situações de partir o coração. Nesse volume também são levantados novos questionamentos muito interessantes sobre consequências e sobre a busca da perfeição, e são esses questionamentos que me fazem amar cada vez mais distopias  


O livro também tem outros dois diferenciais entre os outros: a narrativa intercala entre Tris e Tobias durante toda a história alé de um Epílogo, estilo Jogos Vorazes, que mostra uma prévia do futuro depois do final do livro. Eu achava que não dava para chorar/sofrer/desidratar mais antes de lê-lo, mas deu. Chorei como um bebê. Finais de séries já são terrivelmente perturbadoras ainda mais quando o final é como esse, agora só me resta lidar com mais essa profunda depressão de ressaca literária.


Trechos favoritos:

"Ser honesto não significa falar o que quer na hora que quer. Só significa que o que você escolhe falar será verdade."

"Solto uma risada, e é a risada, e não a luz, que expulsa a escuridão que estava se acumulando dentro de mim, que me lembra de que ainda estou viva, mesmo que seja nesse lugar estranho, onde tudo o que eu acreditava esta desmoronando."

"Se você rouba as memórias de uma pessoa, você muda quem ela é."

"[...] Todas as pessoas têm algo de mau dentro de si e que o primeiro passo para amar qualquer pessoa é reconhecer o mesmo mal dentro de nós para que possamos perdoa-la."

"Alguns dias são mais difíceis do que outros, mas estou preparada para viver cada um deles."

"E eu sei, sem que ninguém precise me dizer, que é isso que o amor faz quando é certo. Ele torna você algo maior do que é, maior do que acreditava ser capaz de ser."


"Ou talvez o perdão seja apenas o afastamento contínuo de lembranças amargas até que o tempo diminua a dor e a raiva, e o mal seja esquecido."


"Será que poderei ser perdoada pelo que fiz para chegar aqui? Quero ser. Eu posso ser. Eu acredito."

"Eu a vira, mas não a enxergava."

"Imagino que uma chama que queime com tanta intensidade não seja feita para durar."

"Existem tantas maneiras de ser corajoso nesse mundo. Às vezes, coragem significa abrir mão da sua vida por algo maior que você ou por outra pessoa. Às vezes, significa abrir mão de tudo o que você conhece, ou de todos os que você jamais amou, por algo maior. Mas, às vezes, não. Às vezes, significa apenas encarar a sua dor e o trabalho árduo do dia a dia e caminhar devagar em direção a uma vida melhor."

"É, a vida às vezes é mesmo um saco. Mas sabe o que estou esperando? Os momentos que não são um saco. O truque é perceber quando eles aparecem."

"Desde que eu era criança, sempre soube disso: a vida nos danifica, a todos nós. Não há como escapar desse dano. Mas agora também estou aprendendo isto: podemos ser consertados. Consertamos uns aos outros."

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